Desafios da saúde

A perda de beneficiários dos planos de saúde e o impacto no fluxo de caixa das empresas do setor

8 de outubro de 2020 3 min. leitura
fluxo de caixa

A perda de beneficiários dos planos de saúde e o impacto no fluxo de caixa das empresas do setor

Com o aumento do desemprego, vem diminuindo o número de beneficiários dos planos de saúde. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), 283 mil pessoas saíram da base entre março e maio. Até que ponto isso afeta a saúde financeira e o fluxo de caixa das operadoras de planos de saúde?

Walter Cintra, da FGV Saúde, centro de estudos em planejamento e gestão em saúde da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), explica que essa perda de beneficiários por parte dos planos de saúde, ainda que acentuada pela crise da Covid-19, é algo que já vem acontecendo há alguns anos. Ele recorda que o setor chegou a ter 50,5 milhões de usuários em meados de 2015, número que caiu para cerca de 47 milhões em dezembro de 2019. Em maio de 2020, eram 46,8 milhões de beneficiários na base.

Fluxo de caixa das operadoras não está em risco

Essa queda é consequência do desemprego crescente vivido pelo país. “A maioria dos planos é vinculada às empresas e, portanto, quando as pessoas perdem o emprego, perdem direito ao plano de saúde”, explica Cintra. “E mesmo quem tem plano individual tem dificuldade de manter quando perde o emprego.”

Isso tudo, no entanto, não gera uma situação alarmante para as operadoras de planos de saúde e não chega a abalar a saúde financeira delas ou seu fluxo de caixa. Pelo menos no caso das grandes operadoras. As menores, segundo Cintra, sim podem sofrer algumas consequências.

Nesse sentido, já está acontecendo uma movimentação no mercado há algum tempo – e que continua sendo tendência -, que é a concentração do setor, com as grandes empresas de planos de saúde comprando as menores. Cintra cita um dado que demonstra bem esse movimento: em dezembro de 2008 havia no país 1.272 operadoras de planos de saúde e em dezembro de 2019, 915.

Outra tendência do setor de planos de saúde mencionada pelo acadêmico é a estratégia das operadoras de trabalham com redes próprias, ao invés de credenciarem hospitais e clínicas médicas.

Por fim, também como tendência do setor, o professor fala dos programas de prevenção à saúde, que racionalizam a atenção e os gastos. “As pessoas tendem a ficar menos doentes com esses programas e as operadoras com visão estão trabalhando nisso.”

Veja também

gestão hospitalar
Desafios da saúde

Um semestre difícil para a gestão hospitalar: entenda em detalhes

A gestão hospitalar passou por um semestre difícil no 2020, consequência da crise causada pelo novo coronavírus. A Covid-19 afetou pacientes, a empregabilidade no setor da saúde e as finanças dos hospitais. Com o aumento dos casos da doença, a recomendação dos órgãos de saúde – Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS) e […]
8 de outubro de 2020 3 min. leitura
reforma tributária
Desafios da saúde

Reforma tributária e seu impacto no setor de saúde

A reforma tributária em discussão no Congresso Nacional vai impactar diretamente o setor de saúde – e não será de uma forma positiva. Isso porque a proposta em tramitação, se aprovada como está, aumentará os custos de hospitais e laboratórios de medicina diagnóstica em 7,4%, enquanto os convênios médicos teriam uma elevação de 5,2% nos […]
8 de outubro de 2020 4 min. leitura
gestão da saúde
Desafios da saúde

Gestão da saúde: um plano para a recuperação

Em um momento de recuperação pós-Covid-19, as empresas de saúde não deveriam retornar às suas antigas formas de trabalhar. Em vez disso, o apropriado seria usar o momento de recuperação como uma oportunidade de transformação da gestão da saúde, segundo a consultoria global Boston Consulting Group. Isso se daria pelo aprimoramento do atendimento ao paciente […]
8 de outubro de 2020 3 min. leitura